O trabalho de constelação familiar vem mostrar o quanto é importante respeitar as ordens do amor. Não basta que nos amemos. O amor também precisa de uma ordem para que possa crescer, evoluir e potencializar. Somente conhecendo as ordens do amor é que podemos superar as barreiras.
Bert Hellinger, nascido na Alemanha em 1925 formou-se em filosofia, teologia e pedagogia trabalhou por 16 anos na África do Sul como missionário católico e após vários outros cursos começou a observar três ordens: Hierarquia, Dar e Receber e Pertencimento.
Ordens do Amor
O dia-a-dia de muitas famílias mostra que não basta que nos amemos reciprocamente. O amor também precisa de uma ordem, para que possa se desenvolver. Essa ordem nos é pré-estabelecida. Sempre que sabemos algo sobre as ordens do amor é que podemos superar os obstáculos que, apesar da boa vontade de todos os envolvidos, muitas vezes se colocam no nosso caminho.
Em todos os nosso relacionamentos, as necessidades fundamentais atuam umas sobre as outras de maneira complexa:
- A necessidade de pertencer, isso é de vinculação.
- A necessidade de preservar o equilíbrio entre o dar e receber.
- A necessidade da segurança proporcionada pela convenção e previsibilidade social, isto é, a necessidade de ordem.
Sentimos essas três necessidades com a premência de impulsos ou reações instintivas. Elas nos subjugam a força que nos desafiam, exigem obediência, coragem e controlam; elas limitam as nossas escolhas e nos impingem, queiramos ou não, objetivos que entram em conflitos com os nossos desejos e prazeres pessoais.
Estas necessidades limitam nossos relacionamentos, mas também os tornam possíveis, pois tanto refletem quanto facilitam a necessidade humana fundamental de relacionamentos íntimos como os outros. Os relacionamentos são bem sucedidos quando conseguimos atender a essa necessidade e equilibra-las; mas passam a ser problemáticos e destrutivos quando não o conseguimos. A cada ato que praticamos que afeta os outros, sentimo-nos culpados ou inocentes. Assim como o olho distingue continuamente a luz das trevas, um órgão interno discrimina a cada passo o que convém ou não convém aos nossos relacionamentos.
Ordem de Pertencer ( Direito de pertencer com igual valia)
Uma das forças que Bert Hellinger descobriu que atua na consciência mais profunda e que mais tarde ele veio a chamar de alma familiar é a de pertencer. É a força que olha apenas para o número de participantes de um sistema. Cuida para que todas as pessoas que fazem parte daquele sistema tenham um lugar certo e de igual valia dentro do sistema. Quando isso não é respeitado, isso gera na família o que Bert Hellinger chama de Emaranhamento.
Exemplo: Se em uma família, o irmão do avô, tinha problemas de alcoolismo, isso muitas vezes envergonha a família, outras vezes excluem esta pessoa e a julgam dando-lhe menos valia quando isso ocorre, estamos desrespeitando o direito de pertencer. O que Bert observou é que se uma pessoa foi excluída ( no caso acima de alcoolismo ), na próxima geração alguém reproduz o comportamento e, muitas vezes, se torna-se alcoólatra e na outra geração seguinte também.
Portando, o emaranhamento tende a se reproduzir nas gerações seguintes até que a pessoa excluída seja incluída com respeito. A forma que esta força pode ser vivenciada é através dos conflitos, doenças, destinos e sofrimentos.
Ordem da Hierarquia (Ordem de Chegada) O sistema não cuida se vamos morrer cedo ou não. O que importa é restabelecer a ordem. Quem chega depois respeita quem chegou antes.
Hierarquia significa aqui, respeitar o que já estava antes. Se quem chegou depois quiser ajudar e salvar, os anteriores receberam isso como desrespeito.
Principias consequências de desrespeitar a hierarquia:
- Não pode criar uma nova família.
- estar amarrada na família de origem.
-Sentir culpa inconsciente que pode gerar doenças.
- dificuldades no universo profissional.
-Depressão
Homem e mulher chegam juntos na construção da família, tem funções diferentes, mas não há diferenças de hierarquia. Dentro do casamento ambos devem respeitar-se mutuamente, porque chegaram ao sistema juntos.
Relacionamentos anteriores (ex- maridos, ex-esposas ou ex-relacionamento significativos) possuem precedência, enquanto que os novos sistemas formados (novos casamentos) ´possuem prioridade. O relacionamento anterior precisa ser respeitado para que o atual dê certo.
Ninguém pode ser feliz à custa da infelicidade ou desgraça do outro.
Quando os filhos percebem que há crise no casamento dos pais, os filhos percebem que eles brigam, e mobilizados pelo amor e pela vontade de ajudar, começam a tomar partido nas discussões. Às vezes começam a dizer “Mae você está certa; pai não faz isso”, ou vice-versa. Eles se mobilizam pelo amor, por medo que se separem, pela necessidade de retribuir, fazem tudo para os pais não se separarem ou por outro lado fala para eles “Vocês têm que se separar, assim não dá mais” Resumindo, se Intrometem! Com isso, filho está desrespeitando a hierarquia ao querer recompensar seu débito, motivado pelo amor. Como não consegue resolver a situação chega à adolescência se sentindo impotente ( a culpa não aliviou) e começa a brigar, o que aumenta a culpa e faz com que se afaste. Diz que seus pais não sabem ser felizes e que são estúpidos, fracos e incapazes.
Faz todo tipo de julgamento dos pais. Isto é o que Bert denomina de processo de Parentetização há uma inversão da ordem, sentem os pais incapazes e ordenam. Acreditam que “sabem o que é bom para os pais”, mas estão errados neste aspecto e isso aumenta a culpa.
O processo de parentetização, em que o filho começa a tomar conta dos pais, causa problemas também com os irmãos, pois ele também vai querer cuidar do irmão, e esse irmão vai reagir “ Você não manda em mim, não é meu pai”, o pai diz “Você tem que respeitar seu irmão mais velho”, mas o mais novo vê que ele não respeita os pais, então não respeita o irmão mais velho. É um problema de hierarquia e todos perdem seu lugar.
Ordem do Dar e Receber
Mantém o equilíbrio e o vínculo das pessoas do sistema. Para haver equilíbrio é preciso haver troca, quando não há troca desestabiliza-se a relação dos integrantes do sistema e também traz emaranhamentos.
Quando gostamos de alguém temos vontade de dar ou de fazer algo para a pessoa. Quando fazemos, ficamos felizes, porque é mais uma forma de demonstrar nosso amor. Quem recebe o presente fica feliz, mas com a sensação que deve algo. Mobilizado por essa sensação, ela quer dar algo maior. Aquele que recebe fica feliz por ter recebido algo maior e dá novamente. Cada vez vai confiando mais nessa relação, se dando e permitindo receber mais, o que torna a relação mais profunda, próspera e rica.
Quando damos algo a alguém, esta pessoa fica feliz, mas se retribui menos ou não retribui isso começa a gerar na pessoa que não retribuiu.
Exemplo: Empresto um dinheiro e a pessoa no dia de devolver não o faz, isso gera culpa em que começa a evitar o credor, pois se sente desconfortável, devedor e menor. Evita o credor e começa a fugir. Se o credor começa a cobrar, se sente pressionada, humilhada e até começa a ter raiva e falar mal do credor.
Para um casal isso é fundamental para o equilíbrio e manutenção. Pode existir amor, mas a falta de equilíbrio na troca pode acabar com a relação. Sabemos internamente se somos credores ou devedores.

